Resolvi, postar este artigo, criado pelo Professor Magru Floriano, em seu blog, pois fala de uma situação que bastante me interessa: A promessa do candidato Volnei Morastoni em lutar pela federalização da Univali. Achei, o texto interessante, e republico:
O PREFEITO E A UNIVALI (Por Hélio MAGRU Floriano).
Todos os itajaienses que acompanharam com interesse o debate promovido na última quinta-feira, dia 07 de agosto, pela TVBV/Bandeirantes com os candidatos a prefeito da cidade de Itajaí ficaram surpresos com o posicionamento do atual prefeito quanto a questão que envolve a UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. O prefeito falou textualmente que a UNIVALI está passando por problemas sérios que qualificou como CRISE. Além disso, quando o candidato Silvino Neto criticou abertamente a Universidade o prefeito não defendeu a instituição ou seu corpo administrativo e por cima ofereceu sua contribuição para resolver em definitivo o “problema” propondo simplesmente sua FEDERALIZAÇÃO. Não satisfeito com sua postura questionável durante o debate, ainda distribuiu pela cidade, na sexta-feira, cerca de dez mil panfletos com o título VOLNEI GANHOU O DEBATE NA TELEVISÃO onde reafirma sua posição de “lutar pela federalização da UNIVALI, pelo ensino superior gratuito e de qualidade para a população”.
Sou um histórico eleitor do prefeito e professor da UNIVALI há mais de vinte anos mas, sinceramente, fiquei perplexo com a proposta do prefeito e candidato. Principalmente porque nesses quase quatro anos que esteve no comando do governo municipal nunca se manifestou sobre o assunto. Portanto, se agora está se referindo ao tema, de duas uma, ou está querendo desviar a atenção do eleitorado para não falar da CRISE DO PORTO [Operação Iceberg e Operação Influenza], ou está querendo fazer uma média com o eleitorado jovem, parcela onde perdeu significativo apoio.
Outro ponto que me chamou atenção foi o fato do prefeito não ter contestado as afirmações incorretas de Silvino Neto. Enquanto prefeito e cidadão itajaiense ele tem informações suficientes para saber que muito do que foi dito constitui simplesmente uma interpretação equivocada dos fatos. Por exemplo, dizer que o reitor indica o colegiado que vai elegê-lo. Eu, por exemplo, faço parte do CAS – Conselho de Administração Superior – mas fui indicado como representante da APESI – Associação dos Professores, onde era presidente [atualmente sou vice-presidente] eleito democraticamente por meus pares. Portanto, não fui indicado pelo reitor. Ali ainda temos representantes da AFUVI, DCE, ACII, PREFEITURA …, todos representantes de líderes eleitos democraticamente por seus pares ou cidadãos e instituições itajaienses.
Mas, o prefeito além de não reparar possível equívoco, reforçou a questão acentuando que realmente a UNIVALI deve passar por mudanças e que vai lutar por sua federalização. Se ele acredita realmente que esta é a solução para instituições em crise, por que não propôs o mesmo quando o SEMASA entrou em colapso total com a água saloba correndo nas torneiras de nossas casas? Por que não propõe a federalização do Porto de Itajaí diante da crise ininterrupta que passa esta importante autarquia municipal, quer seja pela concorrência que vem sofrendo de portos privados, quer seja por pura crise de gerenciamento, já que na sua administração passaram por lá nada menos do que cinco superintendentes? Porque não propõe a federalização do Hospital Marieta Konder Bornhausen e de todo o sistema de saúde do município? Se acredita que a federalização é simples, óbvia e milagrosa, porque não acredita no remédio para si próprio e propõe a intervenção federal na Prefeitura?
Até aceito, como professor de carreira, dirigente da Associação dos Professores e membro titular do Conselho de Administração Superior da Univali, discutir essa questão. Acho interessante estudar todas as alternativas que visam beneficiar nosso povo e melhorar os sistemas educacionais brasileiro e catarinense. O que não dá de entender é dos motivos que levaram o prefeito a falar disso somente agora em campanha. Ficou na Prefeitura por quase quatro anos, foi vereador por duas vezes e deputado estadual por três mandatos, e só agora viu a necessidade dessa discussão? Então não me parece que esta preocupação do prefeito seja legítima.
Quer agradar aos estudantes? Fortaleça a UNIVALI dando apoio nas suas ações de extensão junto à comunidade itajaiense. Ofereça bolsa da Prefeitura para que nossa juventude mergulhe na realidade itajaiense e tenha aulas técnicas e de cidadania ainda cursando a universidade. Isso o prefeito pode fazer agora, já, imediatamente. Federalizar é coisa de décadas. Porque escolher a solução mais difícil se a caneta está na sua mão e com apenas uma assinatura pode resolver em grande parte o problema? Outra sugestão: pegue a caneta e repasse verba suplementar do município para cobrir custos do Hospital Pequeno Anjo, gerenciado pela Universidade e que presta serviço de qualidade para a população regional.
Como professor e líder classista me comprometo a lutar pela federalização da Univali se o prefeito esta semana enviar para a Câmara de Vereadores uma lei [em caráter urgente urgentíssimo, com votação única] criando um sistema de bolsas para todos os estudantes itajaienses que desejarem desenvolver ações de extensão na nossa comunidade. Assim, temos soluções de curto prazo e ao mesmo tempo não deixamos de sonhar com um futuro melhor. Agora e aqui, damos bolsas para os alunos; lá na frente, lutemos pela federalização e o ensino público e gratuito. Agora, em campanha, acenar com algo que talvez venha a acontecer? Isso parece mais uma PROMESSA, dessas que os candidatos fazem todos os dias, todas as horas… mas não têm compromisso para realizá-las. Temos exemplo disso com o caso PRAIA BRAVA, não é mesmo?
No debate, por várias oportunidades, o prefeito lembrou aos jornalistas que “EU JÁ SOU PREFEITO DE ITAJAÍ”. Portanto, considero que é razoável a minha proposta. Vamos lutar juntos pela federalização e esta semana o prefeito envia para Câmara de Vereadores uma lei dando bolsa a todos os estudantes itajaienses que querem atuar no campo da extensão e libera verba complementar para o Hospital Pequeno Anjo. Ajuda a Univali e milhares de jovens no curto prazo, ajuda a população carente que vai ser beneficiada com o serviço de extensão e um melhor sistema de saúde pública, e a longo prazo lutemos pela federalização da Univali e o “ensino público, gratuito e de qualidade”. Perfeito, não é mesmo?
No meu entendimento quem tem a caneta na mão tem o dever de dar respostas, resolver os problemas e não semear promessas ou estimular os outros a lutarem em busca de uma solução que está em suas mãos. Mesmo porque, no caso em questão, o próprio prefeito vive enaltecendo o fato de ter estreito relacionamento com o presidente da República – que já veio à Itajaí quatro vezes -.
Eu votei no prefeito e não me arrependo disso. Foi um voto consciente de um cidadão que deseja sempre o melhor para sua cidade. Assim como estive ao seu lado em diversas lutas cívicas e campanhas políticas, concordando e estando em sintonia com seus pensamentos, agora me vejo no direito de discordar de sua atitude ao não defender a instituição Univali de críticas baseadas em informações distorcidas. Primeiramente porque o que está acontecendo ali diz respeito à mudanças estruturais e conjunturais em nível nacional, não dependendo única e exclusivamente de ações pontuais promovidas pelo Grupo Gestor da Univali. É o sistema educacional brasileiro como um todo que está sofrendo interferência com a política educacional do governo federal. O Sistema Acafe está refletindo esse quadro, e a Univali não poderia ser diferente.
Se há crise na Univali é uma crise gramsciniana, ou seja: é uma crise no sentido de que “o velho já morreu, mas o novo ainda não surgiu”. Isso significa dizer que o sistema educacional brasileiro está passando por sérias mudanças e o processo ainda não chegou ao seu final. Portanto, a Univali está refletindo esse processo como instituição envolvida no sistema como um todo. Seria estranho ver uma universidade imune a uma verdadeira revolução que está ocorrendo no ensino superior brasileiro. Veja o exemplo da UFSC. Esta semana o governo federal, através do MEC, liberou uma lista de vinte cursos de universidades catarinenses que deverão ser vistoriados pelo Ministério da Educação porque tiveram nota abaixo da média na prova do ENADE. Entre estes vinte cursos encontramos dois da Universidade Federal de Santa Catarina e nenhum da Univali. Isso mesmo, nenhum da Univali. Por que Silvino Neto e o prefeito não lembraram desse feito? Esta semana também a Univali foi convidada para atuar no município de Gaspar e, recentemente, abriu uma nova unidade de ensino na Ilha de Santa Catarina. Por que não destacaram isso? Preferiram chamar atenção para a “crise” e dar uma solução de longo prazo, prometendo ensino gratuito de qualidade para todos.
Até reconheço que o Silvino Neto estava dentro do seu papel, como candidato do PSOL e estudante da UFSC. Agora o prefeito deveria ser solidário, parceiro. Primeiro não devia ter puxado o assunto utilizando os termos que utilizou; segundo, deveria ter defendido a instituição e seu corpo administrativo – já que seus membros nunca se furtaram a assinar inúmeros convênios promovendo a parceria com o governo municipal. A Universidade nunca deixou de ser parceira da Prefeitura nesses quase quatros anos de Governo Popular. Merecia, por sua fidelidade, portanto, ser defendida pelo prefeito com extrema paixão.
Bem poucas vezes na vida discordei do prefeito, de quem sempre fui eleitor e parceiro na maioria das lutas que liderou em benefício de nossa cidade e do povo brasileiro de modo geral. Mas, infelizmente, não posso estar ao seu lado nessa sua proposta de solução para a “crise” da Univali. Entendo que ele tem a caneta na mão e deve usá-la para ajudar a nossa Universidade. Quem tem a caneta na mão não precisa de discurso utópico ou proferir promessas. Basta assinar papéis. Quer ajudar a Univali? Quer ajudar os estudantes? Quer ajudar a população carente? Use a caneta que está em sua mão. É uma caneta poderosa, porque é uma caneta com tinta feita da esperança da maioria do eleitor itajaiense.
O texto em disponível em: http://www.magru.wordpress.com